
“Tive a sensação clara, muito clara, de que eu ia morrer porque o bonde estava tão perto, tão perto de mim... Eu me joguei no chão com muita força. Eu pensei imediatamente que ia ser esmagado.”
Foi com essas palavras que o curador de cinema carioca Gustavo Scofano, entrevistado pelo Fantástico deste domingo, 7, descreveu o acidente com o Elevador da Glória, um dos símbolos de Lisboa, na última quarta-feira, 3. O brasileiro foi um dos feridos no descarrilamento, que deixou 16 mortos.
Ao programa, ele contou que não costuma passar pela área de circulação do bondinho porque a região está sempre repleta de turistas, mas naquele dia escolheu esse caminho. Da tragédia, lembra-se do barulho, do movimento e do sangue.
“Houve um estrondo grande. Olho para frente e vejo o bondinho vindo na minha direção, mas na diagonal. O bonde estava tão perto, tão perto de mim. E só o tempo de eu virar e me jogar me parecia impossível. E eu fiz isso, e acho que imediatamente veio uma nuvem de poeira e detritos. E eu levantei e percebi que tinha sangue pelos braços, botei a mão na cara, tinha sangue na cara, no cabelo, na camisa e eu estava coberto, coberto de sangue.”
Scofano afirmou que foi levado ao hospital para ser suturado, mas a principal marca é psicológica. “Acho que neste momento (a cicatriz) é essa sensação de pânico que não cessa e de uma angústia tremenda, enfim, e das imagens que ficam vindo”, disse à repórter Bianca Rothier. “Graças a Deus eu não morri, mas tenho um peso imenso que fica.”

